sábado, 2 de maio de 2009

MÃE


Se queres ouvir
a mãe
em tua memória
arcaica
deixa as palavras verem.
Aceita o colo
vivo
a álgida solidão
e ultrapassa o poema.


Poema de Francisco José Viegas

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Yes, he does

imagem publicada pela Reuters

Hoje é segunda-feira e retomo o trabalho num mundo com mais esperança.

Depois do pesadelo de termos tido Bush a minar o mundo, estamos a ser liderados com inteligência e alma!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Os Gémeos


-Lá em casa somos 5. Eu, o meu marido e os meus filhos: a Maria, que tem 12 anos, e os gémeos, de 8.
A Maria não dá trabalho nenhum. Agora os gémeos já são uma preocupação!
Os gémeos são inseparáveis. Fazem tudo em conjunto e quase que sofrem um pelo outro, ou um com o outro, sei lá... – diz a mãe preocupada.
Um dia levei-os a uma festa. Um ficou de lado, chateado com o dono da festa e o outro resolveu armar confusão para defender o irmão.
Quando levo os gémeos às compras o que um quer o outro também quer. Onde um quer ir, o outro também quer. O que um gosta de brincar, o outro também acaba por gostar.
Na escola, um é mais estudioso que o outro, é mais preocupado com os trabalhos da escola, mas acaba por ir atrás da brincadeira do outro e unem-se os dois contra mim, se os mando fazer alguma coisa.
Eu e o meu marido preocupamo-nos muito com os gémeos. As pessoas acham-lhes muita graça, mas sinceramente a união deles preocupa-nos. Esta união não é muito boa, não acha doutora?
Eu já os pus em salas separadas, na escola. Nunca andam vestidos de igual porque acho uma palermice. Queria que fossem mais autónomos e acho que isso ajuda, não acha? Estamos sempre a lutar para que cada um seja ele próprio, que não pense pela cabeça do irmão, que não sofra o que o outro sofre, essas coisas…
- Mãe, posso interromper um bocadinho? Como se chamam os seus filhos gémeos?
- Ah!... João e Luís.
- Foi o João ou o Luís que ficou de lado na festa?
- Ah! Foi o Luís.
- E é o João ou o Luís que gosta mais de trabalhar na escola?
- Ah! É o Luís.
- A que gosta de brincar o João?
- …. Acho que já estou a perceber o que me quer dizer!

Publicado na revista Pais&Filhos por Maria João Santos
Responsável do Gabinete de Apoio à Família do ESCA

domingo, 5 de abril de 2009

Exposição de Leonor Pêgo - "Sala de Caça"

A não perder a última exposição (de escultura e de desenho) da escultora Leonor Pêgo: Sala de Caça. Decorrerá até 26 de Abril no Antigo Lagar de Azeite em Oeiras.

Para quem já a visitou reteve a força, maturidade e coragem deste estupendo trabalho. A não perder!

Preservativos


Citando J.L. Pio de Abreu (Destak, 3 Abril 09)

"(...)A utilização do preservativo assinala que a relação não tem intenções malévolas. Não consta que os utilizadores o usem, como não o usam aqueles que querem condicionar os parceiros. Também o não usa quem, consciente ou inconscientemente, se move pelo desejo oculto de espalhar nos outros o mal que transporta. Neste tempo, um relacionamento sexual desprotegido pode ser assassino.(....)às vezes, basta dizer certas palavras para se alcançar um orgasmo mediático. São em geral palavras insólitas, mas as malévolas e assassinas produzem o mesmo efeito. É aqui que os preservativos podem de novo ser úteis. Basta colocá-los na língua durante o protagonismo público."

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Grande Livro do Adolescente - Mário Cordeiro



Mario Cordeiro convida-o(a) a estar presente no lançamento do seu novo livro

“O Grande Livro do Adolescente

Dos 10 aos 18 anos”

no dia 2 de Abril, no Forum Fnac no C. C. Colombo, às 18h30

terça-feira, 17 de março de 2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

sem nome


há um ódio em mim que não percebo, não consigo conter…. acordo assim, disparo com tudo, ele, está logo ali à mão,…., compreende..?; calculo que não, eu própria nunca consegui perceber o que é isto, donde tudo isto vem….

quando acordo o dia bate-me na cabeça, a luz diz-me que são horas não sei de quê,
e porquê?..

ali está o kikas, esparralhado na cama, boca aberta ruidosa, bafo aos charros da noite anterior. eu, só fumo dois por dia, desde que larguei as outras tenho muito medo…não consigo é tomar menos comprimidos, ou então rebento….

sei lá donde vem este ódio, e para quem….

para a casa da minha mãe não quero voltar, pelo menos espero…quando acabar o subsídio de desemprego espero aguentar-me; toda a vida a dizer que eu sou uma irresponsável, que não sei o que quero da vida… e ela? borrifou-se para mim e para os meus irmãos, só me ia dando dinheiro, e eu sempre a pedir-lho…..; não, não volto para lá….

mas o kikas é um puto, esse sim,…., tanto músculo e afinal passa o pouco dia que está acordado a jogar play station….e eu à espera de um marido, coisa boa! não está mais de dois dias num emprego, os papás dão-lhe sempre colinho, basta um telefonema…
diz que já não me pode ouvir, que qualquer dia vai-se embora, que estou sempre a refilar…o que é que acha, nem as cuecas tira do chão!,…, estou farta de dizer-lhe que não sou a mãezinha dele,….
sim é verdade, tenho medo de ficar sozinha, mas já estou, não é assim…?

e porque é que não consigo dizer umas verdades à minha mãe? só a ela não consigo responder; e não a aguento ouvir, parece uma metralhadora nos meus ouvidos…tanta coisa e recebe sempre o meu pai lá em casa depois das fugas dele…a esse nem falo!

sabe o que é que a minha mãe diz deste meu cabelo, destes caracóis que ficam assim por nada? desde sempre, desde que me conheço, que a conheço – porque é que não te penteias? sempre com esse ar de quem saiu da cama, de quem não se lava…!

o kikas diz que gosta deles, deve ser só para agradar, não acha? que têm a cor dos girassóis da avó ….achei-lhe graça….

não sei se é boa ideia continuar a vir…, sabe quanto pago de transportes?....além disso ando sempre em consultas,… e para quê?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Kiki


Kiki fez 3 anos.
A escolha da escola foi uma tarefa árdua para Ana e Rui que correram todos os Jardins de Infância da cidade à procura do “melhor”. Mais do que um bom espaço físico conjugado com um preço acessível ao orçamento familiar, procuraram um projecto pedagógico que lhes agradasse e… essencialmente, rostos de crianças felizes!
Encontraram uma escolinha que lhes pareceu bem, mas as dúvidas continuaram a surgir. Acalmavam-se com um discurso recomendado: “a decisão foi consciente, logo – É a melhor Decisão!”
Chegou o grande dia!
Já tinham antecipado a ansiedade da Kiki (e a deles) com uma visita à nova escolinha. A Kiki ficou entusiasmada, deixando Ana e Rui mais tranquilos.
Kiki entrou, de mão dada com os pais, de olhar desconfiado, observando tudo muito atenta. Não parecia muito convencida a largar as mãos da segurança.
De repente, a educadora surge com um grande sorriso convidativo: Olá Kiki! Anda ver as coisas novas que tens ali para brincar. O rosto iluminou-se e aderiu. Disse adeus a Ana e Rui e (segundo a educadora) ficou bem.
A semana decorreu normalmente. Na segunda semana começou a chorar e a agarrar-se aos pais na hora da separação.
Ana e Rui foram falar com a educadora que lhes assegurou que ela, depois, ficava bem. Ana e Rui queriam acreditar, mas o sofrimento de Kiki levantava o véu das ansiedades que transportavam. Ficavam a espreitar pela janela, telefonavam a meio da manhã,…
Informaram-se para saber se era normal.
A primeira etapa, Ana e Rui cumpriram. Mostravam-se sorridentes e tranquilos na hora da separação explicando que a escola é um sítio giro e cheio de pessoas que gostam muito dela. Assim, Kiki podia optar por escolher a escola (em vez dos pais) e eles até achavam bem!
O passo seguinte foi dado pela Kiki. Curiosamente ela resolveu a situação. Passou a ser ela a levar Ana e Rui à porta da escola e a ser ela a dizer adeus. Sempre é preferível “abandonar” do que “ser abandonado”.
Foi aí que os pais entenderam. As crianças têm estratégias fantásticas para resolver os seus problemas. Às vezes, apenas precisam de uma pequena ajuda.
Obrigado Kiki!

Publicado na revista Pais&Filhos por Maria João Santos
Responsável do Gabinete de Apoio à Família do ESCA

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Crise Mundial (Pess/Opt)imismo


Michael Wieviorka, Presidente da Associação Internacional de Sociologia, realizou uma conferência na Universidade do Minho na semana passada. A reter as suas palavras (in Jornal Publico, 20/02/2009):

- quando há uma crise tão grave há uma série de processos que se desenvolvem. E com eles o medo, o ódio, a xenofobia, o racismo, relacionados com o nacionalismo, o populismo, o proteccionismo; Talvez seja este o momento para pensar que outro mundo é possível(...) sou um forte apoiante de Obama(...)ele não diz apenas que "temos de salvar a banca ou o emprego", tem também um forte interesse pela economia verde, acredita na ciência e no investimento a longo prazo. Na Europa não temos isto. estamos a tentar salvar a banca, as indústrias clássicas, os empregos, etc. Não parecemos muito empenhados em criar uma nova era(....).

Miguel Sousa Tavares, Expresso (21/02/2009:
(...)Antes ainda de financeira ou económica, esta é uma crise universal de valores e princípios, num tempo em que o dinheiro e as aparências, o sucesso e a falta de consciência de deveres e de obrigações com os outros se transformaram no bezerro de oiro(...)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Notícias do ESCA - Novo Espaço de Amamentação



O ESCA está a realizar obras no espaço de amamentação da sua clínica. Forrado a madeira, está a ficar com o "quentinho" que os nossos bebés e pais merecem!

Imagem: Gustave Klimt

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

alargamento para seis meses


O Governo aprovou hoje o aumento da licença parental para seis meses, subsidiando com 83 por cento do salário bruto, mas que atingirá 100 por cento se a licença for de cinco meses partilhada por pai e mãe.

"Procede-se ao aumento do período de licença parental para seis meses subsidiados a 83 por cento ou cinco meses a 100 por cento na situação de partilha da licença entre mãe e pai, em que este goze um período de 30 dias ou dois períodos de 15 dias em exclusividade", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros".

Logo que o diploma seja publicado em Diário da República, terão direito aos novos benefícios da licença de parentalidade não apenas os novos casos de nascimento, mas também os casais que nesse momento já se encontrarem em período de usufruto de licença de parentalidade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ao pai de Eluana Englaro


Eluana Englaro morreu esta segunda-feira. Encontrava-se em estado vegetativo há 17 anos, quando sofreu um acidente de carro. O pai obteve o direito de interromper a alimentação e a hidratação da filha com uma decisão definitiva da Justiça italiana, divulgada em 13 de novembro de 2008.

O pai da italiana disse ao jornal chileno "La Nación" que "não fizemos nada além de dar voz a Eluana", ao explicar sua decisão de deixar a filha morrer. Ele começou a batalha judicial para desligar os aparelhos em 1997.

O primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, disse ter recebido "com muita dor" a notícia da morte de Eluana.

O Papa Bento XVI afirmou que "a eutanásia(...)é um acto "indigno do homem".
No Vaticano, o cardeal Javier Lozano Barragán, pediu que "o Senhor acolha (Eluana) em seu seio e perdoe aqueles que a levaram deste mundo".

O pai de Eluana Englaro fez um apelo por silêncio e respeito nos últimos dias da filha.

Aos acusadores e outros moralistas deixo as palavras de José Luís Peixoto (in Morreste-me) dedicando-as, curvando-me com respeito, ao pai de Eluana:

(....)Não se aflija, pai. Sou forte nesta terra nos meus pés.(...) sem ti e sempre contigo(...)Não se apoquente pai.Eu oriento-me. Pai, não se preocupe comigo. Anoitece a estrada no que sobra da manhã. Chove sol luz onde está o que os meus olhos vêem. Pai. Dorme , pequenino, que foste tanto. Pai, onde estiveres, dorme agora.(...) Eras um pouco muito de mim. Descansa, pai. Ficou o teu sorriso no que não esqueço, ficaste todo em mim. Pai. Nunca esquecerei.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

a falar é que a gente de entende...


Neste elencar de pessoas do ESCA a quem devo, pessoalmente, e em nome dos meus filhos e dos meus pacientes, gratidão, quero expressar aqui os meus agradecimentos à Terapeuta Carolina Santos, dita "da fala", mas que é, no fundo, da linguagem, da comunicação e da empatia. O que ela consegue corporizar, nas sessões e nela própria.

Obrigado, nomeadamente em nome do Tomás e do Eduardo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

as crianças curam-se "à pancada"...


Queria deixar aqui os meus agradecimentos à Enfermeira Ana - como pai, avô e profissional - pelo seu excelente trabalho.

Seguramente que muitas dezenas de pais me apoiarão nesta "homenagem"... mesmo que, durante as sessões de cinesiterapia, o símbolo ESCA quase que seja "Espancamos e Sovamos Crianças e Aguentam" - "pancada da boa", aprovada pelas Comissões de Menores em Risco. E não é que ficam mesmo bons? Não é apenas da técnica, é desta Técnica que usa bem a técnica.

Obrigado!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

a fada dos dentes

A fada dos dentes

Aparecia quando se esperava, mas não se sabia bem se cumpriria - tudo dependia da nossa consciência. Portámo-nos bem? Merecemos?

O dente debaixo da almofada, o tentar não adormecer para ver se "ela" surgia, mas o sono, esse desmancha-prazeres, acabava por vencer e caíamos para o lado.

No dia seguinte, estava lá: uma moeda, um presente, algo apenas simbólico.

Afinal, sempre tínhamos crescido. Não eram promessas vãs dos nossos pais para comermos melhor a sopa ou a alface.

Devíamos todos guardar essa moedinha, como o Tio Patinhas fez com a "número um", mesmo que correndo o risco de haver uma Maga Patalógica que destila inveja (mas também charme).

Fica a memória da Fada dos Dentes ou, para os mais reservados, o "Ratinho dos Dentes".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Notícias do ESCA - Nova Página WEB



A Equipa do ESCA convida-o(a) a conhecer a nova página: www.esca.pt




Visite o nosso espaço, percorra a nossa página e participe nas nossas iniciativas!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

de pernas para o ar...


Assim vai a política para a Infância...


Escultura: Edgar Viggeland

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

NOTÍCIAS do ESCA - Exposição de Pintura




Desde 1 de Janeiro de 2009 está exposta no ESCA a criação de Isabel Rocha Leite intitulada "Os Amigos da Cabeluda". A não perder! (2ª a 6ª feira das 9h às 21 h e sábados das 9h às 18 h).

Deixamo-vos uma breve nota biográfica da autora:

“Nasci em Lisboa, em 1965, e frequentei a António Arroio até ao 12º ano.
Sempre gostei muito de desenhar bonecada. Herdei este gene da minha mãe e trabalhar nisso sempre foi o meu objectivo.
Entrei para o Citex em 1984, completando o curso de Design de Moda em 1987. Na altura identificava-me mais com ilustração de Moda mas era uma área pouco explorada num curso dirigido essencialmente para a indústria textil. Foi a minha principal actividade durante cerca de 15/16 anos.
Finalmente comecei a trabalhar como ilustradora, em 1997, para a Terra do Nunca da Notícias Magazine e para o Museu do Vinho do Porto.
Pelo meio achei que devia aperfeiçoar a minha técnica de pintura e então tive aulas com o Mestre Albuquerque Mendes.
Recentemente colaborei para a Visão Junior. Lancei em 2006, juntamente com a Leonor Mexia, “A Caica da Avá Maria”. A 11 de Fevereiro deste ano vai ser lançado o livro, das Edições Trinta por uma Linha, “O Sonho do Elefante Tomé” de Amadeu Baptista, ilustrado por mim.
Começaram a surgir novas oportunidades de expor as minhas telas, a partir de 2003: Na Real Associação do Porto(2003); na Ordem dos Engenheiros do Porto (2004); no ESCA, em Lisboa (2005); no Clube de Golf de Ponte de Lima (2006); na Quasiloja (2007); na Mãos à Arte (2007); na Xico Escuro (2007); City Golf (2008); nA Araújo e Sobrinho (2008) e no Amadeu Correia (2008).
Neste momento trabalho na loja da Pão de Ló no Porto, que funciona basicamente como o meu Atelier. Lá, dou asas a minha imaginação e aproveito para partilhar com as crianças as minhas experiências com as telas e as tintas durante os ateliers que são organizados principalmente durante as férias.”
ISABEL ROCHA LEITE

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Pai


O meu pai era grandioso, justo, e de uma corpuratura imensa. Um dia, uma mulher definiu-o um gigante eurítmico. Era bonito e corajoso como o herói de um romance de aventuras e a sua coragem era uma coragem verdadeira, a coragem de quem vence o medo pelo sentido de justiça e deseja endireitar o que de torto encontra na vida. Mas era também forte por natureza, cada murro seu era um atestado de óbito. Vi-o lutar contra sete e sair sem uma beliscadura.
Comigo foi de uma docura maternal, um pai-mãe que, por vezes, me parecia também um pouco meu filho. Era louro e tinha os olhos verdes, da mesma cor do lago Trasimeno nos dias de ligeira neblina. Era diferente de qualquer outro homem porque conhecia a profunda tristeza sem motivo, os longos suspiros melancólicos, a imprecisão de saber-se lá que destino.
Nas noites de Verão, gostava de olhar para as estrelas e de ouvir cantar os grilos e de imitar para mim, quando eu era menina, o seu lamento. As poucas vezes que me respondeu fê-lo apenas com a força das suas palavras. Pegava-me ao colo ou então sentava-me em cima de uma mesa e falava comigo com um tom de voz forte e persuasivo. Dizia-me coisas sensatas, às vezes também furibundas, porque aquela era a sua maneira de viver a vida: a sensatez dos males extremos e dos extremos remédios. Recordo-me de sempre o ter entendido muito bem e de ter sempre feito bom uso dos seus conselhos. Entendíamo-nos porque tínhamos o mesmo latejar da carne interior, a consciência recíproca de em alguma outra vida anterior ele ter estado no meu ventre e eu no dele. Éramos amigos e entre nós não havia segredos porque gostávamos de falar das súbitas alterações de humor, daquilo que pode deixar-nos tristes e logo a seguir alegres, da grandeza das inúmeras vozes que sentíamos dentro da alma. E assim, dizia-me, Podemos desejar ao mesmo tempo a morte e o renascimento. E eu respondia-lhe que tinha razão, que era assim a vida. Gostava de lhe beijar os olhos porque tinha as pálpebras mórbidas e sempre um pouco quentes. Em contrapartida, ele gostava de me ensinar algum golpe de luta livre dizendo que poderia vir a ter necessidade disso, um dia em que ele não estivesse presente para me defender; ou então, de me falar de Homero, porque gostava muito daquele verso que diz: "Os deuses tramam e executam a perdição dos mortais a fim de que as gerações que nascem tenham alguma coisa para cantar." E quando estava em paz consigo mesmo e não queria castigar o mundo, repetia sempre outro verso do mesmo poeta: "Ulisses trazia em si de todos os mortais o coração."
Era diferente de todos os outros homens porque conhecia a grande alegria, a súbita revolta do sofrimento, o optimismo despropositado. E então, enchia-se, todo ele era um projecto de futuro e fazia o verso longo e agudo do vento dos campos. Dizia, Sou um pedaço de terra, puro fermento. E eu pensava, Oxalá te nasçam flores no peito o mais tarde possível, meu adorado.
Este, porém, era o meu pai, não os pais dos outros.


(Romana Petri- OS PAIS DOS OUTROS. Edição: Cavalo de Ferro, 2005. Fotografia de Carlos Morales-Mengotti)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Dia de Reis

Segundo a tradição, neste Dia, em que se comemoram uma de duas coisas: ou a chegada dos reis Magos ao Presépio, ou o dia em que os Reis Magos foram santificados, as crianças antes de dormir deixariam sapatos à janela, com ervas, para que os camelos dos Reis Magos se pudessem alimentar e seguir a viagem. Em troca, os Reis deixariam doces que as crianças encontrariam ao acordar, no sapato onde estavam as ervas.

É engraçado como estas tradições se foram misturando: os sapatos para o Pai Natal, em alguns países (e com toda a lógica) é no Dia de Reis que se dão os presentes, as crianças e os doces ("gostosuras ou travessuras", do Halloween, ou o saco do Pão por Deus).

Ficam, como elementos comuns, a dádiva, a troca, a entre-ajuda, a simplicidade e as crianças (e, actualmente, com o exagero que caracteriza alguns sectores desta sociedade, a obesidade, a cárie dentária e a exigência de alguns "pequenos monstros").

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

FELIZ 2009!


A Equipa do ESCA deseja a todos Vós um excelente ano de 2009!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Fonte Monumental


Tão próxima de nós, a vizinha Fonte Monumental, impropriamente chamada Luminosa (esta é a de Belém), jorra água e, ao princípio da noite, também luz (excelente iluminação, diga-se).


Totalmente remodelada há cerca de três anos, com pormenores lindíssimos, a Fonte devolve à Alameda muita da sua alma, a qual será inteira quando acabarem as obras do metro, na parte oeste. Só é pena um certo abandalhamento do relvado, em termos de alguma "jagunçada" que por ali se diverte e de cocós de cães avulsos (os cocós, não os cães, que têm donos que os passeiam e que assistem, impávidos e serenos, ao "fazer obra").

De qualquer forma, esta Alameda, que reune 4 (quatro!) Juntas de Freguesia: S.João, S. Joáo de Deus, São Jorge de Arroios e Alto do Pina (deve ser a única rua de Portugal com tanta freguesia junta ou junta de freguesia...) continua a ser um espaço verde, de lazer e comercial variado e interclassista.


Segundo uma das responsáveis pela obra, todo o mecanismo de "relojoaria" que regula a Fonte foi arranjado, e pretendia-se abrir, no local, alguns espaços comerciais, que ficarão dentro da construção (atrás da queda de água). A ideia era também transformar a Alameda em "sala de espectáculos" e de exposições, especialmente no Verão, bem como aproveitar os jardins por cima da Fonte e os espaços limítrofes. A existência de esplanadas e cafés não estava posta de parte.

O pior é que... nada se vê concretizado destas ideias, embora o ESCA já se tenha oferecido para colaborar na dinamização desta área.


Assim se comemorou o 22º aniversário da "Revolução Nacional"! Esperamos que o executivo camarário e as Juntas não se esqueçam que tão importante foi re-abrir a Fonte como será mantê-la... é que as eleições até são daqui a um ano!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

3ª Jornada de Hiperactividade do ESCA - Sucesso Formativo!

Foi com um debate vivo, que levou a novas reflexões, que decorreu a 3ª Jornada de Hiperactividade e Défice de Atenção do ESCA no passado sábado em Lisboa.

Com a presença de cerca de 250 participantes - professores, educadores, psicólogos, médicos, pais,...,que esgotaram o Auditório da Univ. Católica (Esc. Saúde de Lisboa), um painel de formadores de grande qualidade motivou o debate e novas perspectivas de intervenção.

Uma vez mais o ESCA fez a ligação da Saúde à Educação, retomando pontes de contacto e de interacção dos profissionais dessas diferentes áreas.

A todos os participantes, parabéns! A quem não pode participar por falta de vagas, novas formações irão decorrer num futuro a médio prazo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

3ª Jornada de Hiperactividade do ESCA - O Rescaldo

Decorrida que foi mais uma Jornada, sobre este tema quente da actualidade, venho desafiar quem quiser ser desafiado para continuar a partilha no nosso blogue.
Tal como alguém questionava, há sempre necessidade de estratégias específicas para aplicar...
Tal como muitos se exaltaram, há que perceber como encontrar possibilidades nas novas leis...
Tenho encontrado algumas estratégias em conjunto com pais e colegas, sei de quem esteja a conseguir lidar menos mal com as novas circunstâncias na educação.
Assim proponho que, quer com estratégias práticas, quer legislativas, que pudessemos partilhar de uma forma construtiva as nossas "armas" para fazer frente a esta jornada comum.
Se quem tiver dúvidas práticas as colocar nos comentários e quem se achar no bom caminho para algumas respostas as escrever também, seguiremos com bom rumo.
Da minha parte tentarei estar atenta para ir respondendo, na medida em que me parecer ser possível ajudar.

domingo, 16 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nova Esperança


Deixo aqui, revendo-me nelas, as palavras de Miguel Sousa Tavares (Expresso, 01/11/2008):

"...Terça-feira que vem, o mundo pode começar a reencontrar o caminho da esperança, com a eleição de Obama como Presidente dos Estados Unidos. Não, ele não tem uma varinha mágica nem vai conseguir, por melhor que tente, tirar a América e o mundo deste atoleiro tão cedo. Mas representa outra gente, outra atitude, outra esperança. Seguramente que acredita numa economia menos iníqua, menos desonesta e menos entregue à lei da selva. E acredita na necessidade de uma América menos arrogante e menos egoísta. Cravará os pregos que forem necessários no caixão do liberalismo e, se tiver a lucidez suficiente para tal, trará a América de volta ao lugar da esperança que já foi seu e que perdeu com estes oito anos de pesadelo que foram os de George W. Bush."

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Elogio ao Amor


"...Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá tudo bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra.•
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar..."

Miguel Esteves Cardoso - Excerto de "Elogio ao Amor"

domingo, 12 de outubro de 2008

3ª Jornada de Hiperactividade do ESCA (Lisboa, 22 Nov 2008)

Hiperactividade

Défice de Atenção

Inclusão


3ª Jornada de Hiperactividade do ESCA

Lisboa 22 Novembro 2008-10-12

(inscrições on-line em www.esca.pt)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

SOS - para pais e jovens aflitos!

Esta fotografia é parte de uma entrevista do Professor Renato Paiva, do ESCA, à Revista "Saber Viver", que saíu há dias.

Parabéns!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

demagogia

A Ministra da Saúde disse hoje na AR que nunca tinha prescrito a vacina anti-pneumocócica, de seu nome comercial Prevenar®.
Ana Jorge foi presidente da ARS de Lisboa, e depois chefe de serviço do Hospital Garcia de Orta, desde a data em que a vacina foi introduzida no mercado (2001). Não fazia clínica privada nem consulta externa. Não deve, por isso, ter tido grandes oportunidades de receitar esta vacina...

Espero, contudo, que não carregue na consciência nenhuma morte evitável por meningite ou septicemia a pneumococos, causada por um dos sete serogrupos que formam 75% do leque que existe em Portugal. Nunca o saberá, daí a sua afirmação ser tão simples como quase leviana.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria recomenda a vacina desde há largos anos, e os organismos internacionais e múltiplos países introduziram-na nos respectivos programas de vacinação. Portugal não. A vacinação com 4 doses custa 320€ aos pais. Podia custar apenas 80€ ao Estado. Ou apenas 180€ aos pais se fosse comparticipada. Se custasse um euro já estava no PNV - aposto. É isso que me choca. A prevenção de meningites e septicemias (e de mortes e de handicaps fica reservada aos ricos - será esta a política socialista?).

Desculpe, senhora Ministra: se tivesse um filho ou um neto com menos de dois anos, recomendaria a vacina? Apenas uma mera pergunta de quem anda há anos e anos a estudar o assunto... mas não me demita por escrever isto, como fez o seu antecessor, até porque ele já me perseguiu e demitiu... mesmo que ilegalmente, mas demitiu... Há seis anos... Por recomendar uma vacina que ele dizia ser "ineficaz para uma doença que não existia"... E passados apenas dois anos integrou-a com pompa e circunstância no Programa de Vacinação (a da meningite C).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Nova Lei do Divórcio


Foi aprovada em Setembro 2008 na Assembleia da República a nova Lei do Divórcio, terminando a figura jurídica de “Divórcio Litigioso”. Termina também(na legislação....) também a noção de "culpa", para tristeza de muitos....!!

Espera-se, à “luz dos países mais desenvolvidos”, o incremento da Mediação Familiar, como forma de defender os reais interesses das crianças. Esta, é uma forma consensual e voluntária de resolução de conflitos, mediada por um profissional -o mediador- que com uma actuação imparcial e neutra trabalha, com o casal em causa, de forma a alcançar soluções mais adequadas a todos.

domingo, 28 de setembro de 2008

Medicamentos Substituem Psicoterapia - frases a reter


Sente-se deprimido, ansioso, dorme mal e não consegue trabalhar? Se for a um médico, o mais provável é que saia do consultório com várias receitas de antidepressivos e ansiolíticos, em vez de novas marcações para fazer psicoterapia . Esta é, pelo menos, a conclusão de um estudo publicado na “Archives of General Psichiatry”. O estudo foi feito nos Estados Unidos, mas traça um retrato fiel do que se passa hoje nos países ocidentais.

(Sofia Lobato Dias - Diário Económico)

A equipa de cientistas liderada pelo médico Ramin Mojtabai analisou os arquivos das consultas de psiquiatria entre 1996 e 2005 e concluiu que houve uma grande queda no número de médicos que fazem psicoterapia: apenas 29% de todas as consultas de psiquiatria incluíram sessões de psicoterapia, ao passo que em 1996 e 1997, 44% das consultas dos psiquiatras incluíam técnicas psicoterapêuticas.

In Diario Económico on-line de 11/08/2008


Mas há mais para explorar na edição impressa de hoje...


"Os psiquiatras hoje ganham mais se fizerem consultas de 15 minutos para a prescrição de medicamentos do que se fizerem uma consulta de 45 minutos de psicoterapia" Ramin Mojtabai em entrevista à Reuters.


"A maioria dos estudos mostra a superioridade dos medicamentos em vez da psicoterapia", diz o Presidente da Associação de Internos de Psiquiatria ao Diário Económico

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Poema de Teresa Rita Lopes


Desisto / de existir? / persisto / em resistir? // Visto que / existo / já agora / insisto

Teresa Rita Lopes, 1966

sábado, 20 de setembro de 2008


MITIN
MOSTRA DE TEATRO INFANTIL
20 a 23 de SETEMBRO 2008
NO INSTITUTO FRANCO-PORTUGUÊS


É já a partir de amanhã dia 20 de SETEMBRO que Lisboa vai ficar mais colorida
A MITIN - Mostra Internacional de Teatro Infantil espera levar ao teatro 2500 crianças para assistirem a representação dos melhores grupos internacionais de teatro para criança. A Mostra termina dia 23 de Setembro e nela não vão faltar workshops de arte com profissionais ligados a infância, exposições e muitas outras atracções.

São 8 espectáculos, 2 workshops e 1 exposição

UM PROGRAMA PARA MIÚDOS E GRAÚDOS.
Mais informações, inscrições e reservas pelo mail teatro@fernandoterra.com
www.mitinteatro.blogspot.com

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

"Barracuda" Palin


Palin diz que a gravidez da filha adolescente "a obrigaria a crescer mais depressa do que o planeado", não escondendo o seu orgulho por a mesma ter "decidido assumir as responsabilidades da idade adulta".

Num país em que a gravidez na adolescência cresce significativamente, a política dos conservadores americanos tem-se baseado na promoção da abstinência sexual.

Enquanto governadora do Alasca, Sarah Palin opôs-se determinantemente a qualquer programa de educação sexual, de promoção de "sexo seguro" e de utilização de contaceptivos....

Foi você que pediu uma barracuda Palin ???

(Des)cangalheiros - procuram-se!


Procura-se (des)cangalheiros para resuscitar blogue!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Nova Exposição no ESCA


Convidamos todos os nossos leitores a visitarem a nova exposição no ESCA, "O Mundo de Joana". A autora, Joana Graça, salpica-nos de cores e emoções!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Woody Allen - "A Próxima Vida"


"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba com um orgasmo! I rest my case."

By WOODY ALLEN

domingo, 24 de agosto de 2008

e assim continuamos...


Segundo os jornais, um homem de 33 anos tentou ontem à tarde, em Peniche, roubar um carro no interior do qual se encontravam duas crianças, de 8 e 13 anos, filhos da condutora. O assaltante ainda conseguiu ligar o motor e fazer marcha-atrás, mas foi impedido de seguir viagem por populares, que se aperceberam da situação e conseguiram retirá-lo do carro e imobilizá-lo até à chegada de um carro-patrulha da PSP.

O carro, um Renault Mégane Scénic, estava parado junto a um café, aonde a condutora se tinha dirigido por uns instantes.


Não sei que estupidez admirar mais: se a do assaltante, se a da mãe que deixa duas crianças dentro do carro com as portas abertas. Voltem, McCann, estão perdoados!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

cirurgião precoce

Un niño de 11 años ayuda a su padre a operar a una mujer chilena
La paciente denuncia al doctor por la participación activa de su hijo en la intervención.

El Pais


Sobredotado? Trabalho infantil? Brincadeiras de pai e filho?
NÃO tente realizar este truque em casa!!!

sábado, 2 de agosto de 2008

sem comentários

Tinha ido beber uns copos a Albufeira e os filhos – gémeos, de 11 anos –, que seguiam com ele no carro, aborreciam-no. Irritado, o pai encostou na berma da EN125, na rotunda de acesso à Fontes da Matosa, concelho de Silves, e abandonou-os, às 03h00de ontem.

in Correio da Manhã

terça-feira, 29 de julho de 2008

aviso à navegação

A experiência (kafkiana) da Mãe do Ricardo, faz sublinhar: NÃO viagem para a União Europeia SEM o Cartão Europeu de Seguro de Saúde.

Porque, como aconteceu a ela, o filho foi recusado num serviço público, apesar do BI português e foi parar a um particular, onde a abordagem (e os custos) foram... nem é preciso dizer mais nada.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Deonilde

Deonilde

Deonilde vive o dia a dia. Sobrevive dia a dia. Não sonha em cada dia….

- Já disse para te deitares! Amanhã levantas-te cedo. Depois é que são elas! Digo-te sempre o mesmo..!

O filho parece não acreditar no seu cansaço. Pelo ralhar contínuo ou porque não entende o seu desespero?

- Já tão tarde e ainda tanto para arrumar, maldito T1 que parece crescer…!

Na verdade só no que toca ao trabalho. De resto, todo ele parece, em versão mais feia, a arrecadação da casa que vê na novela antes de adormecer. Ah, hoje pelo menos vai vê-la, o marido, no turno da noite, não a irá incomodar com o seu hálito rançoso..!

Amanhã vai ao médico, uma vez mais um rol de queixas…se ao menos ele olhasse para ela, parece já duvidar das suas dores, por todo o lado e sem se verem!

Deonilde não sonha em cada dia…

- Sr. Dr., dói-me tudo, parece que cada vez estou pior…; foi o meu pai, depois a minha sogra, agora o meu marido. Na verdade nem posso falar mal dele, verdade seja dito nunca me bateu. Ai, Dr., mas o que faço com estas dores? E aquele miúdo, não sei a quem sai, ninguém lhe põe a mão. O pai nunca está, ou, então, ai de quem lhe interrompa o futebol mais a maldita cerveja…ai Dr., acordo mais cansada do que quando adormeço, dê-me qualquer coisa para as dores…ai. Dr., ai Dr……

Deonile sobrevive todos os dias…

Das nove às cinco à secretária, o trabalho é muito e pouco ganha. Quando está para sair há sempre tarefas inadiáveis. O patrão, de gravata em riste, é homem de poucas falas. Até hoje não lhe perdoa ter ficado de baixa aquando da morte do pai – tristeza não é doença, isso é mal para ricos..!, vociferava anafado e escarlate.

Deonilde está cansada todos os dias….

Em casa começa novo turno de trabalho. “Pica o ponto” às seis, quando vai buscar o filho à escola. – o teu pai bem podia por as cuecas no cesto, e tu, já tens idade para fazeres qualquer coisa!
Ao menos hoje pode ver a novela em paz, ele foi ver o futebol p’ró café, espera que venha já com ela a dormir….

Deonilde sobrevive(u) mais um dia!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Hoje estamos mais livres! Menos um carniceiro solto!



O dia hoje brilha mais! Foi preso Radovan Karadzic. Falta o seu "amigo" Ratko!!Para quem não se recorde, este senhor, debaixo do seu penteado e de "ar honesto", aceitou / deu ordem, para o Massacre de Srebrenica, no qual todos os homens e rapazes (entre outras atrocidades), foram separados, levados, mortos e enterrados em valas comuns. Para que não se esqueça!!!

Carta aos Avós


O ESCA está a ter mais profissionais/avôs. O último é o nosso pediatra, Mário Cordeiro (completamente "babado").
A Psicoterapeuta do ESCA, Eduarda Carvalho, recolheu este texto que dedica a todos os avós do ESCA (profissionais e utentes)

Definição de Avó

Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do
Cartaxo.Uma delícia!


"Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos
outros.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores
bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem "Despacha-te!". Normalmente são gordas, mas mesmo assim
conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam historias, nunca saltam bocados e nunca se importam
de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não
tiver Televisão".

terça-feira, 8 de julho de 2008

um caso exemplar, e muitas lições...

O que podemos dizer aos nossos filhos sobre o caso de Ingrid Betancourt? Além de tudo o que tem sido relatado, para lá do que a própria tem dito, o que pensarão as crianças disto tudo?

É difícil esconder dos mais novos que rebentou um homem-bomba no Iraque, ou que as medidas norte-americanas no Afeganistão apenas prolongam o sofrimento dos inocentes e potenciam o comércio da heroína. É difícil esconder que enquanto a União Europeia decide o tamanho da sardinha ou do croquete, pessoas de carne e osso ficam no desemprego e algumas delas passam fome ou terminam com a vida.

Mas há casos que, pelo seu mediatismo, se tornam exemplos, modelos, únicos, repetidos muitas vezes até á exaustão.
Ingrid Betancourt foi raptada no momento em que exercia um dos mais nobres direitos: a liberdade de se candidatar à presidência da república. E a liberdade (e a coragem) de denunciar prepotências, latrocíncios, corrupção e exercícios perversos do poder.

Imaginem, cá em Portugal, Cavaco, Soares ou Alegre serem raptados e estarem seis anos em parte incerta, temendo-se pela sua vida, e só poderem ver a liberdade depois de uma genial operação militar. Tentem pensar nisso. Provavelmente, para a maioria das crianças e dos jovens, não é concebível um cenário assim fora do ficcional ecrã televisivo.

O que mais espanta e será mais difícil de explicar, será a posição de algumas pessoas, designadamente do partido comunista português e dos seus membros. Não vou tecer aqui comentários políticos, mas não me coíbo de afirmar, claramente, que é bom os pais comentarem com os filhos o assunto. É bom dizerem que, no país em que vivemos, e em que tudo parece correr bem, pese embora algumas reclamações (de quem se pode dar ao luxo de pertencer aos dez por cento de cidadãos mais ricos e afluentes do mundo), há pessoas e pelo menos um partido com assento parlamentar que aprovam implicitamente raptos, tortura, e que “qualquer fim justifica os meios”, convidando para a sua casa (a sua Festa) elementos de bandos terroristas. Mesmo que depois digam representar a população na defesa dos seus interesses – até os raptar, se for caso disso!

Se Jerónimo de Sousa fosse raptado por uma milícia armada, o que diria o PCP? E os que nele estão inscritos? E os que nele votam? E os que o toleram?

As nossas crianças têm que aprender a viver com isso. Para saberem distinguir o trigo do joio. Para conhecerem a realidade que “os amanhãs que cantam” produziram nos países da órbita soviética: miséria, exploração, ausência de liberdade e repressão, para glória e abastança de membros do partido, tendo terminado em regimes proto-fascistas e governados pelas máfias.

A história de Ingrid Betancourt, no que reporta às crianças portuguesas, tem muito a aproveitar. Para que aprendam que há Bem e que há Mal, que há ética, que não serve dizer estar-se do lado do povo, quando se pensa estar acima dele. Que não se pode estar ao mesmo tempo dos dois lados da barricada…

truz, truz, está alguém aí?...

domingo, 6 de julho de 2008

Mulher Coragem!


(...) na última carta à mãe tinha dito:"Estou, mãezinha, cansada, cansada de sofrer. Fui, ou tentei ser, forte. Estes quase seis anos de cativeiro mostraram como não sou resistente, nem tão valente, nem tão inteligente, nem tão forte como pensava. Dei muita luta e tentei escapar em várias oportunidades, tentei manter a esperança como quem mantém a cabeça fora de água. Mas, mãezinha, dou-me por vencida [...]"
Na parte mais dramática da carta, em que dizia estar "cansada de sofrer", confessava que a morte lhe parecia "uma doce opção". Dormia sobre esteiras, debaixo de um mosquiteiro. Por ter tentado fugir várias vezes, sem nunca conseguir passar os três anéis de segurança que os serviços de informação militares conseguiram agora furar, passou noites acorrentada.
Era obrigada a longas caminhadas. Confessava-se "fisicamente mal", que perdera o apetite, que não comia. Era vigiada de demasiado perto por guerrilheiros quando se lavava. Um dia, por castigo de rebeldia, também lhe tiraram o papel e o lápis com que escrevia - só lhe deixaram a Bíblia, a que chamava o seu "luxo", que lia e relia.
"Mãezinha, dou-me por vencida!"(....)

Mas Ingrid Betancourt ali estava, a sorrir, aparentemente com saúde e abraçada aos filhos.(...)
"Sinto-me feliz por voltar a estar com os meus filhos depois de sete anos", disse a ex-cativa com a voz cheia de lágrimas, a olhar ora para Mélanie ora para Lorenzo. "São os meus filhos, o meu orgulho, a minha razão de viver, a minha Lua, as minhas estrelas. [...] Por eles continuei apostada em sair da selva, com a ilusão de voltar a vê-los." (....)

Público. 4 de Julho de 2008